26/07/2010 | 00:13 | ROGERIO WALDRIGUES GALINDO - COLABOROU MARCUS AYRES, DE MARINGÁ - GAZETA DO POVO
Os dois principais candidatos ao governo do Paraná – Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) – ressuscitaram nos últimos dias um debate que havia ficado adormecido nos últimos anos no estado: a discussão sobre a validade de privatizar companhias públicas. Desde o fim do governo Jaime Lerner, em 2002, o tema havia ficado esquecido. O trauma pela tentativa frustrada de venda da Copel colocou fim a qualquer possibilidade de privatização por algum tempo. A eleição de Roberto Requião para os dois mandatos seguintes no governo terminou de enterrar o assunto.
Na semana passada, porém, o senador Osmar decidiu usar o medo de novas privatizações como arma contra Richa. Insinuou que um possível governo de Richa poderia resultar na venda de novas empresas. E prometeu que nunca tomaria atitude parecida. “Essa é uma diferença de posicionamento histórica entre nós dois”, disse Osmar, afirmando que Richa teria, como deputado estadual, sido favorável à privatização do Banestado, em 2000.
Richa reagiu imediatamente. Assegurou que não pretende vender nenhuma empresa pública paranaense: nem a Copel, nem a Sanepar, nem o Porto de Paranaguá. E, para se contrapor ao programa de Osmar, que fala em “fortalecer” as empresas públicas, disse que pretende tornar as companhias mais “eficientes”.
Os dois candidatos, portanto, têm um discurso semelhante contra a venda de patrimônio público. No entanto, em entrevistas à Gazeta do Povo, eles mostraram ter entendimentos diferentes sobre outras maneiras de participação da iniciativa privada no governo estadual: como o uso de instituições autônomas ou de organizações não governamentais (ONGs) para prestar serviços públicos.
O uso de ONGs como gestoras de dinheiro público, por exemplo tem crescido consistentemente no Paraná, e já tem um peso importante no orçamento do estado. O deputado estadual Elio Rusch (DEM), líder da oposição na Assembleia Legislativa, afirma que o Paraná já repassa mais recursos para ONGs do que para os municípios. Em sete anos, seriam R$ 700 milhões a fundo perdido para prefeituras contra R$ 1 bilhão para ONGs.
E uma primeira diferença entre Richa e Osmar aparece justamente na opinião dos dois sobre convênios do governo com a ONGs para que elas prestem serviços públicos. Richa diz não ver problemas, desde que as organizações conveniadas sejam sérias. Osmar afirma que tentará dar prioridade a convênios com instituições públicas.
“Eu não tenho dificuldade alguma em trabalhar com ONGs que sejam sérias, que tenham ações transparentes, claras em favor da sociedade, humanitárias”, afirmou Richa. “Nós vamos trabalhar com essas ONGs. Temos o Flávio Arns [candidato a vice-governador na chapa de Richa] que atua com ONGs, como a Pastoral da Criança, as Apaes e tantas outras”, disse o candidato tucano. “É diferente de outra esfera de governo, que usa ONGs para desvio de recursos públicos”, emendou Richa, sem explicitar sobre quem estava falando.
Já Osmar afirmou que a preferência será por outro caminho. “Nossa primeira tentativa será sempre a de trabalhar em parceria com o poder público municipal. Claro que cada caso precisa ser analisado. Não acredito que parcerias com ONGs sejam ruins. Mas o que pudermos fazer diretamente por meio de parcerias com prefeituras, será feito”, disse o pedetista.
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